Se você está lendo este guia, talvez esteja buscando respostas para algo que pode parecer complexo, íntimo e, muitas vezes, silencioso. É importante começar dizendo: as variações na libido feminina são uma experiência comum e normal. O desejo sexual pode flutuar ao longo da vida, dos ciclos menstruais e em diferentes fases de um relacionamento. Sentir essas mudanças não é um “defeito”, mas uma característica natural da sua fisiologia e das suas experiências de vida.
O desejo feminino é influenciado por uma rede delicada de fatores interconectados. Para entendê-lo, é útil olhar para o ser humano por inteiro. Por isso, este artigo foi pensado como um mapa seguro e acolhedor, que explora as múltiplas dimensões que moldam a sua sexualidade.
Nosso objetivo é oferecer um panorama claro, baseado em informações científicas acessíveis, para que você possa se reconhecer e, a partir desse autoconhecimento, encontrar caminhos que façam sentido para você. Abordaremos desde as bases biológicas até os aspectos emocionais e relacionais, sempre com um tom de respeito e sem julgamentos.
Por que o desejo pode variar tanto?
Para ilustrar a complexidade, pense na sua libido como resultado da interação entre alguns pilares fundamentais:
- O pilar físico: hormônios, saúde geral, medicamentos, qualidade do sono e nutrição.
- O pilar mental e emocional: níveis de estresse, ansiedade, autoestima, histórico pessoal e saúde mental.
- O pilar relacional e contextual: qualidade da conexão com o parceiro(a), comunicação, dinâmica de tarefas domésticas, presença de filhos e cansaço no dia a dia.
Um desequilíbrio em qualquer uma dessas áreas pode influenciar diretamente o seu interesse sexual. Portanto, reacender o desejo raramente tem uma única causa ou solução rápida. É um processo que pode envolver cuidar de você, do seu corpo e dos seus relacionamentos. Aqui, você encontrará insights e perspectivas para iniciar essa exploração com mais gentileza e informação.
O Que Realmente é a Libido Feminina? Para Além do ‘Desejo Sexual’
Muito mais do que um simples “desejo sexual”, a libido feminina é uma força motriz complexa e multifacetada. Ela pode ser entendida como o interesse ou a energia que direciona uma pessoa para experiências sexuais, mas sua origem raramente é única. Imagine-a como uma orquestra, onde instrumentos biológicos, psicológicos e emocionais precisam estar em sintonia para criar a melodia do desejo.
Entender isso pode ser libertador, pois afasta a ideia de um “funcionamento padrão”. A libido é dinâmica, podendo flutuar naturalmente ao longo da vida, dos ciclos menstruais e de acordo com o contexto do dia. Reduzi-la a um hormônio ou a um pensamento é ignorar a riqueza da experiência humana.
Os Pilares que Compõem o Desejo
Para uma compreensão mais acolhedora, é útil separar os componentes dessa experiência. Eles não atuam isoladamente, mas em constante interação:
- Biológico: Envolve a maquinaria do corpo. Hormônios como a testosterona (presente em todas as pessoas), o estrogênio e a progesterona desempenham papéis-chave na modulação do desejo. O sistema nervoso, responsivo ao toque e ao prazer, e a saúde vascular também são partes fundamentais.
- Psicológico: Aqui entram a mente e os modelos de desejo. Um conceito importante é a distinção entre desejo espontâneo (que pode surgir sem estímulo aparente) e o desejo responsivo (que é despertado por um estímulo físico ou emocional agradável). Para muitas pessoas, especialmente mulheres, o desejo responsivo é comum, podendo surgir após o início da intimidade.
- Emocional e Relacional: Talvez o pilar mais significativo para muitas. Sentimentos de conexão, segurança emocional, confiança e respeito no relacionamento podem ser o combustível principal. Estresse, ressentimentos não resolvidos ou a sensação de sobrecarga podem atuar como freios.
Perguntas Comuns Sobre a Natureza da Libido
É normal a libido feminina variar muito?
Sim, é completamente normal. Flutuações são comuns e podem estar associadas a fatores como ciclo menstrual, estresse, fadiga, fases da vida (como gravidez ou menopausa) e a dinâmica do relacionamento.
Desejo responsivo significa que não estou com “desejo real”?
Não. O desejo responsivo é uma forma tão válida e comum quanto o espontâneo. Ele reconhece que, para muitas, o interesse sexual pode ser uma resposta a um contexto positivo.
Baixa libido é sempre um problema médico?
Nem sempre. Pode estar associada a condições de saúde, medicamentos ou alterações hormonais, mas com frequência está ligada a fatores psicossociais, como estresse crônico, dinâmicas relacionais ou expectativas pessoais. Um diálogo aberto e, em alguns casos, uma avaliação profissional podem ajudar a esclarecer as causas.
Portanto, quando falamos de libido, estamos falando de um barômetro pessoal que integra saúde física, bem-estar mental e a qualidade das nossas conexões. Reconhecer sua complexidade pode ser o primeiro passo para um relacionamento mais gentil e informado com o próprio corpo e desejos.
As Muitas Causas: Por Que a Libido Flutua?
A libido feminina não é um interruptor ligado ou desligado. É mais como uma onda, que sobe e desce naturalmente ao longo da vida. Entender os motivos por trás dessas flutuações pode ser o primeiro passo para uma relação mais gentil com o próprio corpo e desejo. As causas são multifacetadas, frequentemente interligadas, e podem ser agrupadas em algumas áreas principais.
Fatores Hormonais e Biológicos
Os hormônios são mensageiros químicos poderosos que influenciam diretamente nosso desejo. Suas variações normais podem modular a libido.
- Ciclo Menstrual: Muitas mulheres percebem picos de desejo próximo ao período fértil (ovulação), associados à elevação do estrogênio. Na fase pré-menstrual, a queda hormonal pode diminuir o interesse.
- Menopausa e Perimenopausa: A redução significativa do estrogênio pode levar ao ressecamento vaginal e afetar a sensibilidade. A queda da testosterona (presente em mulheres também) pode influenciar na motivação para o sexo.
- Tireoide: Tanto o hipotireoidismo (tireoide lenta) quanto o hipertireoidismo (tireoide acelerada) podem desregular a energia, o humor e, consequentemente, o desejo sexual.
- Outras Condições: Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), endometriose e distúrbios da prolactina são exemplos de condições que podem impactar o equilíbrio hormonal e a libido.
Fatores Psicológicos e Emocionais
A mente e o corpo estão intimamente conectados. O estado emocional é um dos fatores mais significativos para o desejo feminino.
Estresse e Cansaço Mental: O cortisol, hormônio do estresse, pode antagonizar os hormônios sexuais. Quando estamos constantemente em “modo de alerta”, o corpo prioriza a sobrevivência.
Ansiedade e Depressão: Essas condições podem reduzir o interesse geral pelas atividades prazerosas, incluindo o sexo. Alguns medicamentos usados para tratá-las também podem ter a diminuição da libido como efeito colateral.
Autoimagem e Autoconfiança: A forma como nos enxergamos pode afetar nossa capacidade de nos sentirmos desejáveis e de nos entregar ao prazer. Pressões sociais e padrões irreais podem minar a confiança.
Dinâmica Relacional e Contexto
O desejo não existe no vácuo. Ele se constrói (ou se desfaz) dentro do contexto do relacionamento.
Conflitos não Resolvidos e Acúmulo de Mágoas: A raiva e o ressentimento podem atuar como inibidores potentes. A falta de conexão emocional muitas vezes precede a falta de conexão física.
Comunicação Deficiente: Não conversar sobre preferências, fantasias ou insatisfações pode levar a uma rotina sexual monótona. A ausência de elogios e gestos de afeto fora do quarto também pode ressecar o terreno do desejo.
Falta de Tempo de Qualidade: Quando o casal se transforma em uma dupla de gestores de tarefas domésticas e familiares, o espaço para a intimidade e a leveza pode diminuir.
Estilo de Vida e Hábitos Diários
Nossa rotina tem um impacto profundo, ainda que subestimado, na energia vital necessária para o desejo.
- Sono de Baixa Qualidade: A privação de sono pode desregular hormônios e esgotar a energia, deixando pouco espaço para o interesse sexual.
- Dieta Desequilibrada: Alimentos ultraprocessados e deficiências nutricionais (como baixo zinco ou magnésio) podem afetar a produção hormonal e a disposição.
- Sedentarismo vs. Excesso de Exercício: A atividade física moderada pode melhorar a circulação, a autoestima e a liberação de endorfinas. No entanto, o exagero pode levar à fadiga crônica e à diminuição da libido.
- Consumo de Álcool e Tabagismo: Em excesso, o álcool pode atuar como depressor do sistema nervoso. O fumo pode prejudicar a circulação sanguínea, o que pode afetar a resposta sexual.
Fatores Médicos e Farmacológicos
Algumas condições de saúde e tratamentos podem ter a redução do desejo como um efeito direto ou colateral.
Medicações: Anticoncepcionais hormonais, alguns antidepressivos, anti-hipertensivos e antialérgicos estão entre os remédios que podem impactar a libido em algumas pessoas.
Condições de Saúde Crônicas: Doenças como diabetes, hipertensão arterial não controlada e problemas cardiovasculares podem afetar a circulação e a função nervosa. A dor crônica (como em fibromialgia) também pode ser uma barreira.
Cirurgias: Procedimentos ginecológicos ou mamários, às vezes, podem afetar a imagem corporal e a sensação física, requerendo um período de adaptação.
Perguntas Comuns sobre as Causas
É normal a libido sumir completamente em fases da vida? Sim, é comum passar por fases de baixo ou nenhum desejo, especialmente durante períodos de grande estresse, luto, após o parto ou em transições como a menopausa. Uma preocupação persistente que causa sofrimento é que merece atenção.
Uma causa sempre é suficiente para explicar a queda? Raramente. Na maioria dos casos, há uma combinação de fatores. Por exemplo, o estresse no trabalho (psicológico) pode levar a noites mal dormidas (estilo de vida), criando um ciclo que diminui o desejo.
Devo procurar ajuda médica se perceber uma mudança? Se a flutuação for persistente e estiver causando angústia ou afetando seu relacionamento, conversar com um ginecologista ou um profissional de saúde mental pode ajudar a identificar as causas específicas e os caminhos possíveis.
Entender essa rede complexa de influências pode tirar o peso da culpa. Flutuações no desejo podem ser uma resposta do seu corpo e da sua mente ao ambiente interno e externo. Identificar quais fatores estão mais tensionados na sua vida pode ser a chave para começar a desembaraçá-los.
Mitos que Atrapalham: Separando Fato de Ficção
Muitas mulheres enfrentam a complexidade do próprio desejo carregando uma bagagem cheia de ideias pré-concebidas. Desconstruir esses mitos não é apenas um exercício de informação, mas pode ser um ato de libertação da culpa e da pressão injusta que tantas vezes silencia e confunde.
1. “Baixa libido é falta de amor ou atração pelo parceiro”
Este é um dos mitos mais comuns e que pode causar dor. A verdade é que o desejo sexual, especialmente no longo prazo, é influenciado por um sistema complexo. Fatores como estresse crônico, cansaço extremo, rotina esmagadora, questões de saúde mental (como ansiedade e depressão) e dinâmicas relacionais (como ressentimentos ou falta de conexão emocional) podem ter um peso significativo. É possível amar profundamente e, ao mesmo tempo, ver seu interesse sexual diminuir devido a uma combinação desses outros elementos. Separar a libido do amor pode ser um passo crucial para abordar o tema com mais gentileza.
2. “O desejo feminino precisa ser espontâneo para ser ‘verdadeiro’”
A cultura popular frequentemente retrata o desejo como um impulso espontâneo e irrefreável. Para muitas mulheres, especialmente em fases de vida mais ocupadas, a realidade pode ser diferente. A ciência descreve dois modelos principais de excitação: a espontânea (que surge sem estímulo externo) e a resposta (que é despertada após um início de carícias, beijos ou outros estímulos). Ambas são normais e válidas. Esperar apenas pela espontaneidade pode levar a longos períodos de inatividade sexual. Permitir-se iniciar a intimidade mesmo sem um desejo intenso no início, confiando que a resposta pode vir com o envolvimento, é uma descoberta libertadora para muitos casais.
3. “É sempre (e apenas) um problema hormonal”
Os hormônios, como a testosterona e o estrogênio, são peças importantes no quebra-cabeça da libido feminina. Flutuações significativas, como no pós-parto, na perimenopausa ou em algumas condições médicas, realmente podem impactar. No entanto, reduzi-la a uma simples questão de “hormônio baixo” é uma simplificação. Ignora a influência do contexto psicológico, social e relacional. Muitas vezes, normalizar os hormônios (quando necessário) é apenas uma parte da solução. Trabalhar o bem-estar mental, a qualidade do sono, a gestão do estresse e a intimidade do casal são componentes igualmente importantes.
Substituindo os mitos por uma visão mais realista:
- Mito: É falta de vontade ou preguiça. Fato: Pode ser um sinal de que alguma necessidade (física, emocional ou relacional) não está sendo atendida.
- Mito: Mulheres mais velhas perdem naturalmente o interesse. Fato: O desejo pode se transformar, e muitas mulheres relatam uma sexualidade mais focada na qualidade após certa idade, especialmente quando barreiras psicológicas são trabalhadas.
- Mito: Se fosse com a pessoa “certa”, o desejo seria sempre alto. Fato: Relacionamentos longos exigem manutenção ativa da conexão e do erotismo. A rotina e a familiaridade podem atenuar a excitação inicial, o que é normal e pode requerer ajustes criativos.
Perguntas Comuns sobre os Mitos
“Se eu não sinto desejo espontâneo, significa que algo está errado comigo?”
Não. Como vimos, o modelo de resposta é extremamente comum e saudável. A chave pode ser entender e aceitar seu próprio padrão de desejo.
“Meu parceiro leva para o lado pessoal. Como explicar?”
A comunicação aberta e não-culpabilizante é fundamental. Explicar que o desejo é um sistema complexo, influenciado por fatores como estresse e cansaço, e não um termômetro do amor, pode ajudar a retirar o peso da culpa e buscar soluções em equipe.
“Focar apenas em reposição hormonal pode resolver?”
Pode ajudar nos casos em que há uma deficiência clinicamente diagnosticada, mas raramente é a solução única. Uma abordagem integrada, que olhe para o estilo de vida e a saúde emocional, tende a ser mais eficaz e duradoura. Buscar um profissional de saúde que compreenda essa complexidade é importante.
Estratégias Baseadas em Evidências: Reconectando-se Com o Próprio Prazer
Reacender a libido feminina raramente tem uma solução única. É mais como cuidar de um jardim: pode requerer atenção a diferentes aspectos para que floresça. A reconexão com o próprio prazer é um processo gentil e multifacetado, que convida você a olhar para si mesma com curiosidade, sem julgamento. Abaixo, apresentamos estratégias práticas, organizadas em pilares fundamentais, para nutrir seu desejo de dentro para fora.
1. O Pilar Corporal: Nutrir a Base Física
Seu corpo é a sede das sensações. Cuidar dele com carinho pode criar um terreno fértil para o prazer. Isso vai muito além da estética; trata-se de funcionalidade, energia e sensibilidade.
- Nutrição para a Vitalidade: Focar em alimentos ricos em zinco (como sementes de abóbora), ácidos graxos ômega-3 (presentes em peixes como salmão) e antioxidantes (frutas vermelhas, vegetais escuros) pode apoiar a produção hormonal e a saúde circulatória. Reduzir o excesso de açúcar e álcool também pode ajudar a equilibrar a energia e o humor.
- Movimento Consciente: A atividade física regular pode melhorar a circulação, reduzir o estresse e aumentar a autoimagem positiva. Você não precisa de treinos exaustivos. Uma caminhada vigorosa, dança, yoga ou pilates podem ser benéficos. Preste atenção em como seu corpo se sente durante e após o movimento, reconectando-se com a sensação de estar viva.
- Sono Reparador: A privação de sono pode ser um fator que afeta o desejo. Ela pode desregular hormônios como o cortisol e a testosterona. Priorizar 7 a 9 horas de sono de qualidade é um ato fundamental de cuidado.
2. O Pilar Mental: Acalmando a Tempestade Interior
A mente ocupada, ansiosa ou crítica pode ser uma barreira para o desejo. Estratégias para gerenciar o estresse e acalmar os pensamentos podem ser, portanto, centrais.
Práticas de mindfulness e meditação podem ajudar a treinar seu cérebro para sair do piloto automático do estresse e se ancorar no presente. Isso pode ser crucial, pois a resposta sexual acontece no “aqui e agora”. Começar com apenas 5 minutos por dia, focando na respiração ou nas sensações do corpo, pode ser um bom início. O objetivo não é esvaziar a mente, mas observar os pensamentos sem se perder neles.
A gestão ativa do estresse também pode incluir: delimitar horários para tarefas, dizer “não” sem culpa, e dedicar momentos para hobbies que a absorvam completamente. Essas ações podem proteger seus recursos mentais e emocionais, que são a base da energia para o prazer.
3. O Pilar Emocional: Cultivando a Autoestima e o Autocuidado
Como você pode se abrir para o prazer com outra pessoa se não está em paz consigo mesma? O trabalho emocional foca em reconstruir uma relação gentil e positiva com o próprio corpo e ser.
Autocuidado não é apenas um banho de espuma. É a prática diária de se tratar com bondade. Isso pode incluir:
- Praticar a autocompaixão quando se sentir inadequada.
- Explorar sua sensualidade sozinha, sem pressão por um “resultado”. Pode ser através da música, de usar uma roupa que ama, de um auto-toque não necessariamente genital.
- Reconhecer e celebrar as funções do seu corpo além da aparência: sua força, sua resiliência, sua capacidade de sentir prazer.
Este pilar também pode envolver investigar, às vezes com apoio terapêutico, se há crenças profundas (sobre sexualidade, culpa ou merecimento) que possam estar silenciando seu desejo.
4. O Pilar Relacional: Reconstruindo Pontes de Intimidade
Em relacionamentos de longo prazo, o desejo pode minguar quando a intimidade emocional se enfraquece. Reacendê-lo muitas vezes começa fora do quarto.
Comunicação aberta e não-violenta pode ser a chave. Em vez de acusações, experimente falar de seus sentimentos e necessidades. Fale sobre desejo, fantasias e inseguranças em um momento neutro, longe da cama.
Investir em intimidade não-sexual pode criar um reservatório de sentimentos positivos. Marcar “encontros”, abraçar-se por alguns segundos, fazer massagens um no outro sem expectativa de que leve ao sexo, ou simplesmente conversar sem distrações podem ajudar. A pressão por performance pode ser um inibidor; ao removê-la, o desejo espontâneo pode ter mais espaço para surgir.
Perguntas Comuns sobre Este Processo
“Preciso trabalhar todos os pilares ao mesmo tempo?”
Não. Começar pelo que parece mais acessível ou urgente para você pode ser uma boa estratégia. Pequenos passos em uma área frequentemente geram benefícios positivos nas outras.
“Quanto tempo leva para sentir alguma mudança na minha libido?”
Varia muito. Algumas pessoas notam diferenças em algumas semanas com a melhora do sono e estresse; para outras, é um processo de meses de reconexão interna. A paciência e a autogentileza são parte essencial do caminho.
“Se eu fizer tudo isso e não melhorar, é um sinal de que há um problema maior?”
Pode ser. Se as mudanças no estilo de vida não forem suficientes, isso pode indicar a influência de fatores como desequilíbrios hormonais, efeitos colaterais de medicamentos ou questões de saúde mental que se beneficiariam de uma avaliação profissional.
Sinais de Alerta e Caminhos para Ajuda Profissional
Entender que a libido feminina flutua é fundamental. No entanto, quando essas variações se tornam persistentes, causam sofrimento ou estão associadas a outros sintomas, pode ser um sinal para buscar apoio. Reconhecer esses sinais não é um motivo para pânico, mas pode ser um passo corajoso de autocuidado.
Alguns indicadores podem sugerir que uma avaliação profissional é bem-vinda. É importante observar se a falta de desejo é nova, duradoura e se está ligada a:
- Desconforto ou dor durante o contato íntimo (dispareunia).
- Mudanças significativas no ciclo menstrual ou sintomas intensos da menopausa.
- Humor persistentemente baixo, perda de interesse em outras atividades ou altos níveis de ansiedade.
- Impacto negativo na autoestima ou nos relacionamentos, gerando conflitos frequentes.
- Fadiga extrema e constante, não justificada pela rotina.
Se você se identifica com algumas dessas situações, saiba que diferentes profissionais de saúde podem oferecer perspectivas e ajuda específicas. Não é preciso ter certeza sobre qual é o “problema” para pedir ajuda. O primeiro passo pode ser conversar com um clínico geral ou ginecologista de confiança.
Que profissional devo procurar?
Cada especialista aborda a questão por um ângulo, e muitas vezes o trabalho em conjunto é o mais eficaz. Conheça o papel de cada um:
- Ginecologista: Pode avaliar fatores hormonais, como níveis de estrogênio e testosterona, e condições como endometriose ou síndrome do ovário policístico. Também pode discutir opções contraceptivas e seus efeitos.
- Endocrinologista: Pode investigar distúrbios hormonais mais amplos, como problemas na tireoide ou diabetes, que podem influenciar a energia e o desejo.
- Psicólogo ou Psiquiatra: Podem ajudar a abordar questões como estresse, ansiedade, depressão, traumas, imagem corporal e dinâmicas de relacionamento que afetam a sexualidade. O psiquiatra pode avaliar a necessidade de medicamentos, se for o caso.
- Sexólogo: Especialista em sexualidade humana, pode oferecer terapia focada em técnicas, educação sexual, comunicação e resolução de dificuldades específicas, trabalhando frequentemente em conjunto com outros profissionais.
O que esperar da primeira consulta?
A ideia de falar sobre intimidade pode ser intimidadora, mas esses profissionais estão acostumados a abordar o tema com naturalidade e respeito. A consulta geralmente envolve uma conversa aberta, onde você será ouvida sem julgamentos. Prepare-se para perguntas sobre sua história médica, ciclo menstrual, medicamentos, estresse, sono, relacionamentos e seus sentimentos em relação à sua sexualidade. Exames físicos ou de sangue podem ser solicitados, mas apenas se necessários e com seu consentimento.
Lembre-se: você não é obrigada a falar de tudo na primeira vez. Vá no seu ritmo. O objetivo é construir um plano de cuidado com você, e não para você.
Perguntas Comuns
“É normal sentir vergonha de tocar no assunto?”
Sim, é comum. Muitas pessoas sentem. Começar dizendo “tenho uma preocupação sobre minha vida sexual” já pode orientar o profissional e quebrar o gelo.
“Vão me mandar tomar hormônio logo de cara?”
Não necessariamente. A abordagem é individualizada. Muitas vezes, ajustes no estilo de vida, terapia ou tratamento de condições de base são os primeiros passos.
“Preciso ir com meu parceiro?”
A primeira consulta costuma ser individual, para que você se sinta à vontade para falar livremente. Posteriormente, se você e o profissional acharem útil, o parceiro pode ser envolvido.
Conclusão
Entender a libido feminina é, antes de tudo, compreender que ela é um barômetro sensível do seu bem-estar geral. Ela não funciona de forma isolada, mas em conversa constante com seu corpo, suas emoções, seu estilo de vida e seus relacionamentos. Flutuações são normais e podem ser esperadas ao longo da vida.
Por isso, o caminho para reacender o desejo é, fundamentalmente, um convite à autocompaixão e à paciência. Não é uma corrida por resultados imediatos, mas uma jornada gentil de reconexão consigo mesma. Algumas atitudes podem criar um terreno mais fértil para essa reconexão:
- Aceitar as variações sem julgamento, entendendo que elas são parte da experiência humana.
- Celebrar pequenos progressos, como uma noite de sono melhor ou um momento de prazer consciente, sem pressão.
- Observar com curiosidade o que seu corpo e mente estão sinalizando.
Um primeiro passo acessível e poderoso pode ser simplesmente se permitir priorizar o descanso ou dedicar alguns minutos a uma atividade que traga genuíno prazer e relaxamento. Esse pequeno investimento em si mesma pode ser o ponto de partida para reequilibrar outros aspectos da sua vida. Lembre-se de que você não está sozinha nessa jornada, e buscar compreender e cuidar do seu desejo é já um ato profundo de autocuidado.
Perguntas Frequentes sobre o Tema
É normal a libido sumir completamente em certas fases? Sim, em algumas pessoas, períodos de alto estresse, transições hormonais ou exaustão podem levar a uma diminuição significativa do desejo, que geralmente se recupera com a melhora das condições gerais.
Quando devo considerar buscar ajuda profissional? Se a baixa libido causa sofrimento significativo, persiste por um longo tempo sem motivo aparente ou está associada a outros sintomas físicos, consultar um ginecologista ou psicólogo pode trazer clareza e suporte.
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