Em meio à rotina acelerada, listas intermináveis de tarefas e o constante estímulo digital, é comum sentirmos que nosso corpo se torna apenas um veículo funcional. A atenção se afasta das sensações físicas para habitar um mundo de preocupações e pensamentos. Essa desconexão progressiva, somada ao estresse crônico, pode ter um impacto significativo em várias áreas do bem-estar, inclusive na libido.
O desejo sexual não é um simples interruptor que se liga ou desliga. Ele é um fenômeno complexo, influenciado por fatores emocionais, relacionais e, fundamentalmente, sensoriais. Quando perdemos a capacidade de habitar plenamente nosso corpo e perceber seus sinais sutis, o caminho para o desejo pode parecer bloqueado. Você já se percebeu tão mergulhada em seus pensamentos que um toque carinhoso quase passou despercebido? Esse é um sinal dessa desconexão.
A boa notícia é que essa conexão também pode ser reconquistada. A reconexão com os sentidos – o tato, o olfato, a audição, o paladar e a visão – se apresenta como um caminho fundamental para reacender o desejo de forma consciente e gentil. Ao contrário de soluções rápidas, essa abordagem convida a uma reaprendizagem da linguagem do próprio corpo.
Os exercícios sensoriais para libido partem desse princípio: resgatar a capacidade de sentir por inteiro, sem pressão por performance ou resultado imediato. Eles atuam como uma ponte para sair do turbilhão mental e retornar ao presente, ao corporal, criando um terreno fértil onde o desejo pode brotar naturalmente.
Por que isso acontece com frequência?
- Estresse e cansaço: O sistema nervoso sob constante pressão pode priorizar a sobrevivência em detrimento do prazer.
- Excesso de estímulos: A saturação de informações pode diminuir nossa sensibilidade aos estímulos sutis do corpo e do parceiro(a).
- Autocrítica e observação: A mente pode se tornar uma espectadora crítica, analisando cada sensação em vez de simplesmente vivenciá-la.
Esta jornada não é sobre acrescentar mais uma obrigação à sua lista, mas sobre criar pequenos espaços de presença. É um convite para explorar com curiosidade, acolhendo suas sensações sem julgamento, e redescobrir o prazer que já reside em você, aguardando sua atenção.
Por Que Perdemos a Conexão com o Próprio Desejo? A Ciência da Desconexão Sensorial
É comum, em algum momento da vida, sentir que o desejo sexual se tornou distante ou silencioso. Essa experiência, longe de ser uma falha pessoal, muitas vezes tem raízes em processos neurofisiológicos compreensíveis. Em nosso dia a dia acelerado, vários fatores podem contribuir para uma diminuição da resposta sensorial natural, criando uma barreira entre nós e nosso próprio prazer.
O Trio que Pode Abafar os Sentidos
Três grandes influências costumam atuar em conjunto para diminuir nossa conexão sensorial:
- Cortisol e o Estresse Crônico: O cortisol, conhecido como hormônio do estresse, é essencial para situações de alerta. No entanto, quando seus níveis permanecem altos por longos períodos, o corpo pode priorizar a sobrevivência em detrimento de funções como o prazer e a excitação. O sistema nervoso, em estado constante de “luta ou fuga”, pode não priorizar a resposta sexual.
- A Mente Acelerada (Ruminação): Preocupações com trabalho, tarefas domésticas, listas intermináveis de obrigações… Uma mente que não para de pensar mantém nosso foco no futuro ou no passado, longe das sensações do agora. A excitação sexual é uma resposta do presente, que requer uma certa capacidade de estar no corpo e sentir seus sinais sutis, algo que pode se tornar difícil quando estamos mentalmente dispersos.
- A Obrigação Sexual (Performance): Quando o sexo deixa de ser uma possibilidade de prazer e se transforma em mais uma tarefa a ser cumprida, um “dever” conjugal ou uma busca por performance, podemos perder a conexão com o aspecto lúdico e sensorial da experiência. A pressão por um resultado (como orgasmo ou excitação imediata) pode desviar a atenção das sensações prazerosas do caminho.
Entendendo a “Resposta de Excitação” e a “Janela de Tolerância”
Para entender melhor esse processo, dois conceitos da neurociência e da psicologia são muito úteis:
A resposta de excitação sexual é um convite do sistema nervoso, uma disponibilidade para o prazer. Ela é sutil e começa com pequenos sinais corporais: um relaxamento, um interesse, um formigamento agradável. Quando estamos sob estresse ou distraídos, podemos não “ouvir” esse convite.
Já a janela de tolerância é um conceito que descreve nosso estado ideal de equilíbrio nervoso, onde conseguimos processar emoções e sensações sem ficar sobrecarregados (hiperexcitação) ou desligados (hipoexcitação). O estresse crônico e a sobrecarga mental podem nos levar para fora dessa janela, fazendo com que qualquer estímulo, inclusive o sexual, seja percebido como “demais” ou, ao contrário, não seja registrado.
Sinais Comuns da Desconexão Sensorial
Como perceber que isso pode estar acontecendo? Alguns sinais podem incluir: sentir o sexo como uma atividade mecânica, ter dificuldade para perceber o que é prazeroso no próprio corpo, a mente “viajar” completamente durante a intimidade, ou achar que o desejo “simplesmente desapareceu”. Reconhecer esses sinais pode ser o primeiro passo para uma mudança consciente.
Perguntas Comuns sobre a Desconexão Sensorial
Isso é um problema somente meu? Não. É uma resposta humana comum ao ritmo de vida moderno e ao acúmulo de estresse, afetando muitas pessoas.
A desconexão é permanente? De forma alguma. A capacidade sensorial é inata e pode ser reconectada através de práticas que acalmam o sistema nervoso e treinam a atenção para o presente, como os exercícios sensoriais para libido.
É necessário desejo espontâneo para começar? Não. Muitas vezes, a prática dos exercícios sensoriais parte da curiosidade e da disposição em sentir, e o desejo pode surgir como uma consequência dessa reconexão.
Portanto, perder a conexão com o desejo não é necessariamente sobre falta de vontade, mas muitas vezes sobre um sistema sensorial sobrecarregado ou adormecido. Validar essa experiência, entendendo sua base em mecanismos fisiológicos como a ação do cortisol e a saída da nossa janela de tolerância, pode ser um ato de autocompaixão. É o ponto de partida para um caminho de reconexão consciente e gentil com o seu próprio corpo e suas fontes de prazer.

Os 5 Sentidos do Prazer: Mapeando Seu Território Sensorial
Nosso desejo sexual pode ser influenciado por uma complexa rede neurológica, e os cinco sentidos são suas portas de entrada. Conhecer como cada um responde ao prazer é o primeiro passo de uma jornada de autodescoberta. Este mapeamento não tem regras certas ou erradas; é sobre observar, com curiosidade e sem julgamento, o que te atrai, acalma ou, eventualmente, afasta. Vamos explorar individualmente cada território sensorial.
Tato: A Pele como um Mapa de Sensações
O maior órgão do nosso corpo é uma superfície repleta de terminações nervosas. O toque pode ser um poderoso gatilho de conexão e excitação, mas também pode ser um bloqueio se não for desejado ou se for em áreas de tensão. A sensibilidade varia enormemente: um toque suave na nuca pode ser elétrico para algumas, enquanto outras respondem mais a pressões firmes nas costas.
Exemplo prático: Perceba como você reage a diferentes texturas – os lençóis de algodão, a seda de um pijama, as mãos ásperas ou macias. Um abraço apertado pode trazer segurança, enquanto um toque de labareda nos braços pode “ligar” o alerta do corpo. Auto-observação: Em que partes do seu corpo você mais gosta de ser tocada? Há áreas que você protege ou evita?
Olfato: O Caminho Direto para a Memória e o Desejo
O cheiro é o sentido mais ligado ao sistema límbico, responsável pelas emoções e memórias. Um aroma pode evocar instantaneamente uma lembrança prazerosa ou despertar repulsa. Perfumes, o cheiro natural da pele do parceiro, o aroma de uma comida ou até de um ambiente (como mar, terra molhada) podem ser grandes aliados nos exercícios sensoriais para libido.
Exemplo prático: O cheiro de um perfume usado em um encontro especial pode reacender aquele clima. Por outro lado, odores fortes de limpeza ou certos aromas artificiais podem criar uma barreira inconsciente. Auto-observação: Quais aromas te relaxam? Quais te trazem sensação de aconchego ou excitação?
Paladar: O Prazer que Vai Além da Boca
O paladar no contexto sexual está intimamente ligado ao olfato e ao tato. A experiência vai além do gosto em si, envolvendo temperatura, textura e a própria intimidade do ato. Para algumas pessoas, beijar ou explorar sabores no corpo do outro pode ser um estímulo fundamental. Para outras, pode ser um ponto de bloqueio relacionado a inseguranças.
Exemplo prático: O sabor de um chocolate derretendo na boca, a frescura de uma fruta, a temperatura morna de um chá – todas são experiências que podem ser transpostas para a esfera íntima. Auto-observação: Você associa algum sabor específico ao prazer? A ideia de explorar sabores durante a intimidade te atrai ou causa resistência?
Visão: Estímulos, Imagens e Conexão Visual
A visão pode tanto excitar quanto inibir. A luz suave de uma vela, a visualização do parceiro, a apreciação da própria imagem no espelho (autoestima) ou até determinadas cores e cenários podem atuar como gatilhos. Por outro lado, a desordem no ambiente, uma iluminação muito forte ou a exposição a padrões irreais de beleza podem ser bloqueios significativos.
Exemplo prático: A penumbra pode favorecer o relaxamento e a desconexão de julgamentos externos. A cor vermelha, em algumas culturas, é associada à paixão. Auto-observação: Que tipo de ambiente visual te faz sentir segura e confortável? O que você prefere ver (ou não ver) durante um momento íntimo?
Audição: A Trilha Sonora das Emoções
Os sons podem alterar nosso estado emocional e nosso nível de tensão muscular. Uma música suave, a voz sussurrante do parceiro, ou até os sons da natureza podem induzir ao relaxamento e à conexão. Em contrapartida, barulhos altos, discussões ou um silêncio absoluto e constrangedor podem ser grandes inibidores.
Exemplo prático: Uma playlist com batidas suaves pode marcar o ritmo de um encontro. O som da chuva caindo pode criar uma atmosfera íntima. Auto-observação: Que tipo de som ou música te coloca em um estado receptivo e presente? A voz tem um papel importante no seu desejo?
Perguntas Comuns no Mapeamento Sensorial
- “E se eu não sentir nada com um dos sentidos?” É comum. A sensibilidade é individual. O exercício é justamente notar isso sem crítica, focando nos sentidos que são mais responsivos para você.
- “Posso ter bloqueios com todos os sentidos?” Sim, especialmente em períodos de alto estresse ou desconexão corporal. Isso pode sinalizar a necessidade de um cuidado mais global com seu bem-estar.
- “Isso muda com o tempo?” Completamente. Preferências sensoriais podem se transformar com a idade, experiências de vida, estado hormonal e relacionamento atual. O mapa é dinâmico.
Lembre-se: este mapeamento é um convite à exploração interna, não um teste com resultados definitivos. Às vezes, um sentido pode estar sobrecarregado (como a audição em um dia barulhento) e outro se torna o caminho preferencial para o prazer. O importante é começar a notar, nomear e respeitar essas respostas únicas do seu corpo.
Guia Prático: 7 Exercícios Sensoriais para Reconectar com o Corpo (Fora do Quarto)
Esta seção oferece um roteiro prático. São exercícios sensoriais para libido que podem ajudar na reconexão com o corpo, sem a pressão de um desempenho ou resultado imediato. A ideia é cultivar presença e prazer no cotidiano, um passo fundamental para que o desejo possa, naturalmente, encontrar espaço para florescer. Escolha um para começar, dedicando de 5 a 15 minutos do seu dia.
1. Escaneamento Corporal para Presença
Deite-se confortavelmente em um local silencioso. Feche os olhos. Dirija sua atenção lentamente para cada parte do corpo, começando pelos dedos dos pés até o topo da cabeça. Simplesmente observe as sensações: calor, formigamento, peso, ausência de sensação. O objetivo não é mudar nada, mas treinar a atenção para habitar o corpo no momento presente. Faça isso por alguns minutos ao acordar ou antes de dormir.
2. Exploração Tátil de Texturas
Reúna objetos com texturas diversas: um pedaço de veludo, uma folha, uma pedra lisa, uma pena, uma bola de gel. Sente-se e, com os olhos fechados, explore cada um apenas com o tato. Foque nas qualidades da superfície: é áspera? Lisa? Fria? Macia? Permita-se sentir curiosidade, como uma criança descobrindo o mundo. Este treino pode ampliar a percepção e quebrar a rotina sensorial automática.
3. Banho Sensorial Consciente
Transforme um banho comum em uma experiência imersiva. Antes de entrar, escolha um sabonete com um aroma que você genuinamente goste. Durante o banho:
- Tato: Sinta a temperatura da água em diferentes partes da pele, a textura da esponja ou das suas próprias mãos passando o sabonete.
- Audição: Ouça o som da água caindo, diferente quando bate direto no corpo ou no chão.
- Olfato: Inspire profundamente o vapor aromatizado.
O foco está em sentir, não em se lavar rapidamente.
4. Respiração com Aromas
Use um óleo essencial, uma erva fresca (como hortelã ou alecrim) ou até mesmo um café em grão. Sente-se confortavelmente, segure o elemento aromático perto do nariz e respire profundamente algumas vezes. Concentre-se apenas na jornada do aroma: como ele entra, qual sensação provoca, como se dissipa. Essa prática simples pode acalmar o sistema nervoso e ancora você no “aqui e agora”, afastando a ansiedade.
5. Atenção Plena aos Sons
Pare por 3 minutos em qualquer lugar. Feche os olhos e apenas ouça. Identifique as camadas de som: os mais óbvios (trânsito, vozes) e os mais sutis (o vento nas folhas, o ronronar de um aparelho, sua própria respiração). Não julgue os sons como bons ou ruins. Apenas permita que eles existam e cheguem até você. Isso pode treinar a mente a receber estímulos sem reação imediata, uma habilidade que pode ser transferida para as sensações corporais.
6. Degustação Consciente
Escolha um pequeno alimento (uma fruta, um quadrado de chocolate, uma noz). Antes de comer, observe sua cor e forma. Cheire. Coloque na boca, mas não mastigue imediatamente. Sinta sua textura e temperatura com a língua. Ao mastigar, note a liberação dos sabores e como eles evoluem. Engula conscientemente. Este exercício de “comer com atenção” pode recalibrar a relação com o prazer que vem através de um dos sentidos mais primitivos.
7. Movimento Consciente
Em vez de um exercício físico com meta de calorias, faça um movimento simples com total atenção. Pode ser alongar os braços ao céu ao acordar, sentir o alongamento na coluna. Ou caminhar devagar, notando a sensação do pé tocando o chão, o peso se transferindo de uma perna para a outra. O corpo em movimento pode ser uma fonte rica de sensações, frequentemente ignorada. Reconecte-se com ele.
Perguntas Comuns sobre os Exercícios
E se eu não sentir nada durante um exercício? É comum. A simples observação da “ausência de sensação” já pode ser um treino válido de presença. Continue praticando sem cobrança.
Quantas vezes por semana devo fazer? A regularidade é mais importante que a duração. Incluir uma prática breve, mesmo que 3 vezes por semana, pode ser mais eficaz que uma sessão longa e esporádica.
Posso adaptar os exercícios? Com certeza. São diretrizes. Sinta-se livre para modificar os elementos (texturas, aromas, movimentos) conforme suas preferências pessoais e o que estiver disponível.

Do Autocuidado à Intimidade: Como Levar a Consciência Sensorial para a Relação
Após cultivar uma percepção mais aguçada das sensações no seu próprio corpo, surge um convite natural: compartilhar essa experiência com o(a) parceiro(a). Essa transição pode ser um passo delicado e bonito, que envolve comunicação clara e a vontade de construir uma nova dinâmica de prazer, focada no compartilhamento e não no desempenho.
Levar a prática dos exercícios sensoriais para a relação pode transformar a intimidade. O objetivo deixa de ser um fim específico e se torna a própria jornada de descoberta conjunta. Isso pode aliviar pressões e abrir espaço para uma conexão mais genuína e prazerosa.
Comunicação Acolhedora: Como Abrir o Diálogo
Iniciar essa conversa é fundamental. A abordagem deve ser convidativa, não uma cobrança. Um bom ponto de partida é falar sobre sua própria experiência de autocuidado, usando frases na primeira pessoa. Por exemplo: “Tenho explorado uns exercícios para sentir mais prazer no meu corpo e tem sido interessante. Você teria interesse em experimentar algo juntos, sem pressa nenhuma?”.
É essencial garantir um ambiente seguro, onde ambos se sintam livres para definir seus limites. Lembre-se: o “não” ou o “agora não” do outro é um ato de cuidado consigo mesmo e com a relação, e deve ser respeitado.
- Escolha um momento neutro: Converse fora do contexto sexual, durante um momento tranquilo a dois.
- Use a linguagem do convite: Frases como “E se a gente tentar…?” ou “Que tal explorarmos…?” soam menos pressionantes.
- Foque na conexão: Deixe claro que o objetivo é estar presente e compartilhar sensações, não atingir um orgasmo.
- Esteja aberto(a) ao feedback: Pergunte como o(a) parceiro(a) se sentiu durante e após as práticas.
Práticas Conjuntas para Explorar o Toque e a Presença
As atividades a seguir podem ser portas de entrada para uma intimidade renovada. Elas priorizam o toque consciente e a sintonia, sendo uma aplicação prática dos exercícios sensoriais para libido no contexto a dois.
- Massagem Sensorial com Óleo Morno: Combinem que, por 10 minutos, uma pessoa será a receptora do toque, sem expectativa de retribuição. Quem massageia foca em texturas, temperaturas e pressões variadas na pele do(a) parceiro(a). O objetivo não é relaxar músculos, mas simplesmente sentir e ser sentido. Troquem de lugar após o tempo combinado.
- Respiração Sincronizada Frente a Frente: Sentados um de frente para o outro, com os olhos fechados ou abertos, tentem harmonizar a respiração. Inspirem e expirem no mesmo ritmo, sentindo o ar entrar e sair. Isso pode criar uma sincronicidade fisiológica que pode aumentar a sensação de união e presença.
- Exploração de Toque com “Parada Mandada”: Uma pessoa guia a mão do(a) parceiro(a) pelo próprio corpo, mostrando onde e como gosta de ser tocada(a), em um ritmo bem lento. Depois, a outra pessoa faz o mesmo. É um exercício que pode facilitar a comunicação não-verbal e o aprendizado sobre os mapas de prazer um do outro.
Uma armadilha comum durante essas práticas é a mente divagar para pensamentos como “estou fazendo certo?” ou “será que ele(a) está gostando?”. Quando notar isso, traga gentilmente a atenção de volta para a sensação física do toque ou do contato visual. A prática está justamente em retornar ao momento presente.
Perguntas Frequentes Sobre Intimidade Consciente
E se meu parceiro(a) não quiser tentar?
Respeite a decisão. Você pode continuar sua jornada individual, e talvez seu exemplo despertar curiosidade no futuro. A mudança em um já pode impactar a dinâmica do casal.
Isso pode reacender o desejo em relacionamentos de longa data?
Para muitas pessoas, pode. A novidade e a quebra da rotina, focadas em sensações e não em performance, podem reacender a curiosidade e o prazer da descoberta mútua, que muitas vezes se perde com os anos.
Precisamos fazer isso sempre que formos íntimos?
Não é uma regra. Veja como um repertório a mais na sua intimidade. Alguns momentos podem ser de exploração sensorial lenta, outros podem fluir de forma diferente. O importante é ter a opção de acessar esse estado de presença quando desejarem.
Paciência e Progresso: Lidando com Expectativas e Obstáculos Comuns
Iniciar uma jornada de reconexão com o próprio corpo e desejo através de exercícios sensoriais para libido é um ato de coragem. É comum, porém, que surjam dúvidas e frustrações pelo caminho. Normalizar essas experiências é o primeiro passo para seguir com gentileza. Lembre-se: o processo não é linear. Alguns dias serão de descobertas intensas, outros podem parecer um retrocesso. Tudo isso pode fazer parte do reencontro.
Expectativas versus Realidade: O que é Normal no Início
Muitas pessoas começam com entusiasmo, mas se surpreendem com sensações que não esperavam. É fundamental ajustar as expectativas. A mente, acostumada ao ritmo acelerado do dia a dia, pode demorar a “desligar” e permitir que as sensações físicas sejam percebidas. Isso é absolutamente normal.
Obstáculos Frequentes e Como Lidar Com Eles
Identificar os desafios comuns pode ajudar você a não se sentir sozinho(a) e a encontrar estratégias suaves para contorná-los. Aqui estão alguns cenários frequentes:
- “Não sinto nada especial no início.” É comum. A sensibilidade pode ser como um músculo que ficou adormecido; pode precisar de treino constante e sem pressão. O foco não é na intensidade, mas na simples observação do que está presente, mesmo que seja um formigamento sutil ou apenas o contato do ar na pele.
- “Minha mente não para de divagar.” A distração é humana, não um fracasso. Quando notar que se perdeu em pensamentos, respirar fundo e trazer sua atenção de volta, com paciência, para a sensação física que estava explorando pode ajudar. Cada vez que você faz isso, pode fortalecer sua capacidade de presença.
- “Sinto ansiedade ou desconforto, não prazer.” Em algumas pessoas, diminuir o ritmo e focar nas sensações pode trazer à tona tensões guardadas. Se isso acontecer, reduzir a intensidade do toque ou mudar para uma área neutra do corpo pode ajudar. Respirar e observar se o desconforto se transforma. Forçar nunca é a resposta.
- “Tenho dias em que simplesmente ‘não está rolando’.” Isso pode ser a não-linearidade em ação. Respeitar seu estado do dia pode ser importante. Às vezes, o exercício mais produtivo é simplesmente descansar ou fazer uma caminhada consciente, sem qualquer objetivo sexual.
Quando Considerar o Suporte de um Profissional
A prática sensorial é uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, mas não substitui a terapia especializada. Buscar ajuda profissional pode ser um ato de cuidado profundo consigo mesmo(a) em algumas situações. Se você identificar que o desconforto ou a falta de sensação estão intensamente ligados a lembranças de trauma, a uma aversão persistente ou a dores físicas, consultar um(a) terapeuta sexual ou um(a) psicólogo(a) especializado pode abrir novos caminhos. Eles oferecem um espaço seguro para explorar essas barreiras com técnicas específicas.
Perguntas Comuns sobre o Processo
É normal a libido não aumentar logo de cara? Sim, é comum. O objetivo principal não é um aumento imediato da libido, mas reconstruir a ponte de comunicação entre corpo e mente. O desejo pode surgir como consequência, mas no seu próprio tempo.
E se eu achar chato ou mecânico? Isso pode sinalizar que você está se cobrando muito. Variar os exercícios, explorar texturas diferentes (como penas ou tecidos de seda) ou incorporar música suave pode tornar a experiência mais lúdica.
Com que frequência devo praticar? A consistência é mais importante que a duração. Alguns minutos diários, ou a cada dois dias, podem ser mais eficazes do que uma longa sessão semanal. Integre à sua rotina como um compromisso de autocuidado.
A mensagem central é uma só: seu corpo merece curiosidade e paciência, não pressão e julgamento. Cada pequeno sinal percebido, cada momento de presença conquistado, pode ser um passo valioso na reconexão com o seu prazer de forma consciente e acolhedora.

Conclusão
A jornada da reconexão sexual parte de um princípio simples, porém profundo: o desejo é uma experiência do corpo. Ao trazer a atenção para as sensações, saindo da pressão do desempenho ou das expectativas mentais, você pode resgatar uma linguagem íntima e esquecida. Os exercícios sensoriais para libido oferecem justamente essa ponte, um caminho prático para habitar mais plenamente a sua própria pele e redescobrir o prazer como algo que pode nascer de dentro para fora.
O convite final é para que você comece com gentileza e paciência. Um único exercício, realizado por alguns minutos, já pode ser um passo significativo. Celebre qualquer progresso, por menor que pareça – um momento de presença, uma nova sensação percebida, uma curiosidade que surge. Esta não é uma corrida, mas um reencontro. Em algumas pessoas, essa abordagem pode estar associada a uma redução da ansiedade e a uma maior abertura para a intimidade.
Lembre-se de que a autonomia sobre o seu prazer é um terreno fértil para o bem-estar integral. Ao nutrir essa conexão sensorial, você pode cultivar não apenas a libido, mas uma relação mais compassiva e consciente com seu corpo. A esperança reside aí: na capacidade inata de sentir e na possibilidade de reescrever, com pequenos toques de atenção, a sua própria experiência de prazer.
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